Textos

Texto de apresentação para a exposição da série Paisagens Movidas.

Na exposição ”Paisagens Movidas”, dando continuidade a seu projeto sobre o tema – paisagem – Ana Procopiak revela um olhar sensível, singular e atual, ao optar pela desconstrução da estética do realismo/naturalismo documental, em favor de um artificialismo deliberado que tende à abstração. Cumpre lembrar que o artificial tem invadido, de forma irrefutável, a textura das práticas artísticas hodiernas, por força das relações entre arte e técnica (techné), aproximáveis de um pensamento artificioso que caracteriza o homem como artifex (artífice) e ser de cultura. Assim é que a ênfase no artificial em detrimento da ilusão da realidade, em cada imagem aqui exposta, permite que o tema torne-se um pretexto para a obtenção de belíssimos efeitos compositivos.

Curiosamente, as fotos das paisagens que deram origem às obras que compõem esta exposição foram obtidas com a câmera de um celular, com pouca definição; imagens digitais precárias de paisagens colhidas em viagem pelo interior do Brasil.

Ao fazer uso de técnicas computadorizadas para a cuidadosa des/re/construção de suas metaimagens antinaturalistas, nas quais o artifício não é tomado como ornamento, a artista faz com que as obras assemelhem-se a pinturas, a serem contempladas como tal: prazer da pura percepção.

De início, noto que os procedimentos digitais de desfoque, fragmentação, deslocamento topográfico ou interação entre imagens e camadas revelam uma estreita relação com processos  cubistas  de  rejeição às técnicas tradicionais de perspectiva, bem como da ideia de arte como imitação da natureza. A ênfase nos cortes metonímicos e sua remontagem como palimpsestos devem ser consideradas como fatos plásticos independentes e que abstraem a aparência imediata das paisagens das fotos originais. Desse modo, o objetivo da artista é o de criar, por meio da decomposição e superposição de planos, uma imagem conceitual das paisagens, além da representação.

Por outro lado, esse jogo de contrastes ou contrapontos apontaria para aquela féerie de laboratoire: algo meio tangível, meio irreal, que permite a percepção de um efeito pictórico similar ao propiciado pela pintura impressionista e pós-impressionista. Refiro-me à atitude estética interessada na presentificação de conteúdos da experiência cinética e transitória das paisagens (entre)vistas, em sua fugacidade.

Nas obras desta exposição, entre as confluências e as bifurcações, visualiza-se uma estabilidade que pode ser compreendida como um ponto de ordenação das anamorfoses que se sobrepõem ‘palimpsesticamente’. A um só tempo caos e ordem se integram, em expressivas coordenadas cinéticas. A qualidade estética das obras expostas demonstra que, ao colocar a tecnologia a serviço da arte fotográfica, Ana Procopiak encontra seu modo poético de compartilhar instantes vislumbrados, no entre – lugar das imagens contemporâneas.

Profa. Dra. Denise Azevedo Duarte Guimarães


Texto de apresentação para a exposição da série Poéticos Percursos.

Poéticos Percursos

Por aqui ou por ali: percursos. Por vital no processo: dobras de curso único que derivam olhar e gesto.

Por aqui o percurso que faz Ana Procopiak.

Por ali, outras sensibilidades na consequente dimensão da linguagem a compor percursos distintos, espécie de simbiose de verdades que inventa o indivíduo na poética.

Estes Poéticos Percursos redundam em cada presença, em cada verdade sensibilizada. Objetos a coinspirar na plasticidade organizada do espaço, de cujo objetivo se completa a fundamental diversidade dos caminhos percorridos.

De todo modo, aqui, o oportuno de momentos que se sucedem em  Ana Procopiak, feito passos despretensiosos: arte de quem experimenta e expõe o profundamente poético que corresponde viver, de forma natural, sob o signo da deriva.

Roberto Bittencourt – poeta e escritor

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